Mobilização na Zona Oeste do Recife reuniu parlamentares, estudantes, professores e movimentos sociais em defesa da reeleição de Lula; na Zona Sul, apoiadores de Flávio Bolsonaro também foram às ruas
Uma manifestação política ocorreu, na noite da última quinta-feira (22), em frente ao Centro de Artes e Comunicação (CAC) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no bairro da Várzea, na Zona Oeste do Recife.
O ato reuniu lideranças políticas, estudantes, professores, trabalhadores e moradores em defesa da candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a três dias do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).
Lideranças e objetivos
O encontro reuniu participantes de diferentes faixas etárias e segmentos sociais, incluindo estudantes da UFPE e de outras instituições, professores, trabalhadores terceirizados, jovens, voluntários, crianças, moradores da região, e vizinhança, e diversos militantes.
A mobilização teve como objetivo ampliar o apoio a Lula e fortalecer a articulação de grupos de esquerda na reta final da campanha.
Entre as lideranças presentes estavam Jones Manoel (PSOL), segundo deputado federal eleito mais votado por Pernambuco; Rosa Amorim (PT), primeira deputada federal integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST); Dani Portela (PT), deputada estadual mais votada do estado; e Ivan Moraes (PSOL), ex-vereador do Recife e candidato ao governo pernambucano no primeiro turno.
Candidato mais votado de Pernambuco, o deputado federal Pedro Campos (PSB) também participou, ao lado dos demais políticos, em defesa da candidatura do petista.
A mobilização contou ainda com Guilherme Cortez (PSOL-SP), deputado estadual eleito por São Paulo, que participou do ato ao lado de representantes locais, em uma articulação que reuniu integrantes de diferentes partidos do campo progressista.
Cortez criticou a forma como políticos de outras regiões retratam o Nordeste e defendeu o reconhecimento da autonomia da população nordestina.
“Eu quero me desculpar com vocês pelos meus amigos do Sudeste, sabe? Que gostam desse negócio de vir para o Nordeste e dizer como as coisas são, sendo que o povo nordestino sabe falar com a boca própria”, lamentou.
O deputado também abordou a desigualdade social e as condições de trabalho dos estudantes. Entre as pautas que apresentou, citou mudanças na legislação para evitar a exploração de estagiários e defendeu o combate à concentração de renda.
Por outro lado, Jones Manoel afirmou que a mobilização política deve continuar depois do segundo turno, independentemente do resultado das urnas.
“No domingo, a gente comemora, na segunda a gente descansa, na terça-feira eu quero todo mundo com sangue no olho para as ruas. Eu quero todo mundo organizado”, iniciou.
“A gente não derrotou ainda a extrema direita de maneira definitiva, porque a gente ainda tem um regime capitalista para derrotar”, completou.
A deputada estadual Rosa Amorim destacou a participação eleitoral do Nordeste e convocou os apoiadores a manter a organização política da juventude após a votação.
“Elegemos Lula três vezes, em 2002, em 2006, em 2022 e vamos eleger em 2026.
A nossa luta não termina no dia 25 de outubro, ela começa com uma força viva nos nossos corações, dizendo que é possível disputar esse futuro, para a gente ver cada vez mais nosso povo vivendo com vida digna”, ressaltou.
Já Dani Portela demonstrou confiança na candidatura petista e associou a mobilização à defesa da esperança e ao enfrentamento do discurso de ódio.
“Venceremos essa eleição! De verdade! Ele é mais poderoso do que a mentira, porque o amor vai vencer o ódio, porque a esperança vencerá o medo, porque nós da terra do presidente Lula vamos dar um recado. Nós viraremos essa mesa!”, reforçou.
Por sua vez, Pedro Campos também direcionou críticas ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que participou de uma manifestação favorável a Flávio Bolsonaro em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
“Queria mandar um recado para o Nikolas Ferreira que está lá no ‘Golpinho do 22’, em Boa Viagem. O povo do Nordeste desmascarou as mentiras de Nikolas Ferreira”, enfatizou.
O deputado federal do PSB agradeceu aos estudantes e trabalhadores que participaram do ato na universidade. Em seu discurso, também contestou declarações de adversários políticos sobre o Nordeste e mencionou as condições econômicas de pessoas que criticam políticas públicas, mas usufruem de oportunidades de consumo e viagens.
Além disso, Ivan Moraes ressaltou a importância da universidade pública para ampliar o acesso à educação e reduzir desigualdades.
“É porque vocês nunca saíram daqui, vocês estão organizados, vocês estão alegres, vocês estão olhando para o futuro e vocês estão dizendo para todo mundo que quem quer universidade pública de verdade vai votar 13”, iniciou.
“A gente só vai se contentar quando o filho da empregada tiver o emprego do filho do patrão”, completou.
O ex-vereador defendeu que a democratização do ensino superior seja acompanhada de oportunidades profissionais e melhores condições de trabalho. A fala associou a defesa da universidade pública à busca por maior igualdade social.
Boa Viagem
Na Zona Sul do Recife, apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) também realizaram uma mobilização na noite da última quinta-feira (22), nas vias da orla.
Batizado de Bloquinho 22, o ato começou na Pracinha de Boa Viagem, percorreu a Avenida Boa Viagem e seguiu em direção ao Parque Dona Lindu. A manifestação foi convocada para fortalecer a candidatura do senador na reta final da campanha.
Entre os participantes estavam o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que convocou a mobilização, e Lucas Pavanato (PL-SP), vereador de São Paulo eleito deputado federal.
Também participaram Mendonça Filho (PL-PE), coordenador da campanha de Flávio em Pernambuco; o ex-ministro Gilson Machado Neto (Podemos-PE); e Gilson Machado Filho (Podemos-PE), vereador do Recife e deputado estadual eleito.
O ato reuniu ainda Alberto Feitosa (PL-PE), Clarissa Tércio (PP-PE), Renato Antunes (Novo-PE), Izabel Urquiza (PL-PE) e Anderson Ferreira (PL-PE). Durante o discurso, Nikolas Ferreira defendeu a ampliação da votação da direita no Nordeste e criticou Lula e adversários políticos locais.
O parlamentar também fez provocações ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB). Segundo a organização, o evento reuniu mais de 100 mil pessoas, estimativa divulgada sem confirmação independente do número.
As duas manifestações ocorreram na mesma noite, em diferentes regiões do Recife, e reuniram apoiadores de candidaturas adversárias.
Enquanto o ato na UFPE contou com representantes de partidos de esquerda e movimentos sociais, a mobilização em Boa Viagem reuniu políticos ligados ao campo conservador.
Empate técnico
A mobilização na UFPE ocorreu após o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro realizado pela TV Band no último domingo (18).
O confronto foi marcado por discussões sobre segurança pública, saúde, economia e acusações envolvendo os dois campos políticos.
Na pesquisa Datafolha também divulgada na última quinta-feira (22), os candidatos apareceram tecnicamente empatados: Flávio Bolsonaro registrou 47% das intenções de voto, ante 46% de Lula.
Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, ambos alcançaram 50%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O último debate televisivo entre os presidenciáveis está previsto para esta sexta-feira (23), às 21h20, na TV Globo, com mediação de César Tralli.
O encontro faz a programação da reta final da campanha, antes da votação de domingo.
Redes sociais
Além dos atos presenciais, a campanha de Lula também conta com estratégias de mobilização virtual. Um dos exemplos é o canal Exército do Lula, no WhatsApp, associado ao deputado federal André Janones (Rede-MG), que reúne cerca de 10,4 milhões de brasileiros, segundo informações divulgadas sobre a iniciativa na noite desta sexta-feira (23).
A estratégia utiliza conteúdos compartilháveis e ações de engajamento para incentivar apoiadores a divulgar mensagens políticas e ampliar sua circulação nas redes sociais e em aplicativos de mensagens.
A atuação digital de André Janones (REDE-MG) tornou-se uma das referências da comunicação política ligada à campanha petista.
Outra liderança citada nesse contexto é Ana Elisa (PT-MG), deputada federal por Minas Gerais e mulher mais votada do estado para a Câmara dos Deputados. Criadora de conteúdo digital, ela atua na divulgação de mensagens políticas e na mobilização de apoiadores nas plataformas virtuais.
Erika Hilton (PSOL-SP), primeira deputada federal trans reeleita e referência na representação política de mulheres trans e travestis, também defende o fim da escala de trabalho 6×1.
A pauta ganhou espaço no debate público e avançou recentemente no Congresso Nacional, após a aprovação de medidas relacionadas ao fim desse modelo de jornada de trabalho.
A pauta, que prevê mudanças na organização da carga horária semanal dos trabalhadores, tornou-se um dos temas do debate político nacional e conta com a participação da deputada em questão e de outros parlamentares que defendem a redução da jornada sem diminuição salarial, caracterizada como uma das reivindicações relacionadas às condições de trabalho.
Além disso, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) participa de iniciativas políticas e de mobilização que buscam ampliar o diálogo com jovens e trabalhadores.
A atuação digital complementa as manifestações presenciais ao permitir a circulação de mensagens e a articulação de apoiadores em diferentes localidades. As estratégias virtuais e os atos públicos constituem formas distintas de participação política durante a campanha.
2.º turno
A manifestação na UFPE, com a participação de estudantes, trabalhadores, moradores e lideranças como Jones Manoel, Rosa Amorim, Dani Portela, Ivan Moraes, Pedro Campos e Guilherme Cortez, ocorreu simultaneamente ao ato favorável a Flávio Bolsonaro em Boa Viagem.
Os encontros refletiram a mobilização dos dois campos políticos na reta final do segundo turno. Com a disputa marcada pelo empate técnico apontado pelo Datafolha, os atos presenciais, a comunicação digital e o último debate televisivo integram as estratégias de campanha antes da votação.
No Recife, a realização de manifestações em defesa de candidaturas opostas evidenciou a presença dos dois grupos na disputa pela adesão dos eleitores pernambucanos, que será encerrada no fim deste final de semana.



