Aratu online

Nem todo olho vermelho é inofensivo: saiba quando buscar ajuda médica

Especialista explica as principais causas da vermelhidão ocular e alerta para sinais que indicam doenças como a esclerite

Exposição excessiva a telas, um mergulho no mar ou na piscina, contato com vento, poeira, fumaça e o cansaço visual são causas frequentes de olho vermelho. Contudo, essas situações são, em geral, reações dos capilares sanguíneos na conjuntiva a um impacto externo, resultando na vermelhidão, e não uma doença em si. A hiperemia conjuntival, nestes casos, é um sinal de que “algo está irritando o olho”.

Para o desconforto causado pelo uso prolongado de telas e o cansaço visual, a recomendação é seguir a regra “20-20-20”. Isso significa que, a cada 20 minutos em frente à tela, deve-se descansar por 20 segundos, olhando para um objeto a cerca de 6 metros de distância. Reduzir o brilho dos monitores e utilizar óculos com filtro de luz azul também são medidas que oferecem maior conforto. Em conjunto com essas práticas, ou nos demais casos de irritação leve, é possível usar colírios lubrificantes sem drogas vasoconstritoras.

No entanto, a grande questão é discernir quando a vermelhidão ocular merece uma atenção mais aprofundada. Qual o momento exato em que os olhos avermelhados indicam a necessidade de procurar ajuda médica?

O oftalmologista Adriano Nogueira, do Instituto de Olhos Recife (IOR), esclarece que “toda vermelhidão no olho precisa de avaliação, mas nem todo olho vermelho significa alguma doença por trás”. Ele alerta para a importância de estar atento às causas secundárias da vermelhidão. Entre elas, estão as conhecidas conjuntivites (virais, bacterianas, alérgicas), as ceratites, que são inflamações da córnea, traumas e as uveítes. Estas últimas podem ser associadas a diversas condições, como infecções, doenças autoimunes, reumatológicas, traumas ou cirurgias.

Ao suspeitar de problemas mais sérios, alguns sintomas específicos geralmente se manifestam: dor, sensibilidade à luz (fotofobia) e embaçamento na visão. Além disso, a vermelhidão pode indicar outras condições, como alergias, olho seco, glaucoma agudo e esclerites, que também demandam atenção.

A esclerite, por exemplo, é uma inflamação na esclera, conhecida como o “branco do olho”. Adriano Nogueira descreve que, além da vermelhidão, um sinal distintivo é a dor intensa, frequentemente sentida “dentro do olho” e que pode se espalhar para a região temporal, mandíbula ou testa. “Geralmente é uma dor que desperta o paciente durante o sono”, acrescenta o especialista. Lacrimejamento ocular, fotofobia e inchaço local ou generalizado da esclera são outros sintomas.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a esclerite afeta mais mulheres entre 30 e 50 anos, muitas das quais também apresentam alguma doença reumatológica. “Diversas doenças autoimunes podem implicar a esclerite, mas uma das principais causas é a artrite reumatoide, uma enfermidade do sistema imunológico que ataca tecidos saudáveis”, pontua Adriano Nogueira. O acompanhamento nesses casos deve ser multidisciplinar, com especialistas em reumatologia, pois “a melhora passa, necessariamente, pelo controle da doença de base”.

O diagnóstico da esclerite é feito por meio de um exame oftalmológico detalhado, combinado com exames complementares específicos, após uma anamnese cuidadosa. O tratamento varia conforme o tipo da doença. O oftalmologista do IOR explica que “o uso de colírios, por si só, não costuma resolver”. Os anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) orais são a primeira linha terapêutica. Caso não haja resposta, são considerados corticosteroides orais, imunossupressores ou agentes biológicos. O controle da doença de base que originou a esclerite é igualmente fundamental.

É crucial não ignorar a vermelhidão ocular e os sintomas associados, na esperança de que desapareçam. Buscar tratamento especializado é essencial. Adriano Nogueira alerta que “caso não tratada, a esclerite pode evoluir para afilamento escleral, com perfuração do globo ocular, ou glaucoma, descolamento de retina, edema macular, neurite óptica ou até mesmo perda visual irreversível”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *