Um dos espaços mais simbólicos da trajetória criativa do artista, o ateliê de Francisco Brennand agora compõe de forma permanente o espaço expositivo do museu-ateliê, reunindo mais de 2 mil itens do acervo.
Pessoal e intimista, o ateliê era pouco conhecido pelo público visitante. Nele, o artista passava boa parte do tempo pintando, desenhando, lendo, escrevendo ou imerso em pesquisas e criações. Por vezes isolado, mas seguro nesse universo particular, contemplava o mundo externo por meio de uma janela.
Esse elemento físico, arquitetônico e convencional acabou se tornando um símbolo de sua perspectiva sobre a vida, a arte e a própria cosmologia criativa de Brennand.
Construído por volta de 1975, nos primeiros anos da Oficina Francisco Brennand, o ateliê era o principal reduto de criação do artista. Ali, ele mantinha seus materiais de trabalho, objetos pessoais e sua biblioteca particular. Após seu falecimento, em dezembro de 2019, a equipe de Acervo e Documentação do museu realizou um levantamento da coleção preservada no ambiente e identificou cerca de 17 mil itens, entre livros, catálogos, fotografias, jornais, mobiliário, materiais de trabalho, objetos pessoais e obras até então inéditas ao público.
Após ser submetido a um cuidadoso processo de reforma, conservação e organização, o espaço expositivo “Ateliê Francisco Brennand – Uma janela para o mundo”, localizado nos Salões de Esculturas da Oficina, será aberto para visitação de forma permanente. A abertura ocorrerá a partir do próximo sábado (8), em uma iniciativa inédita que marca o início do ciclo de comemorações do centenário de nascimento do pernambucano, celebrado em junho de 2027.
Mais do que apresentar um ambiente preservado, o espaço expositivo convida o público a entrar no lugar onde Francisco Brennand elaborava seu pensamento artístico. Com cerca de 65m², o ambiente apresenta duas salas com aproximadamente 2 mil itens.
A primeira, denominada “Sala de Memória”, reúne objetos pessoais de valor afetivo, fotografias históricas, manuscritos, moldes, estudos, documentos e conteúdos audiovisuais que ajudam a compreender o processo criativo de Francisco Brennand. Ainda nela, serão exibidos trechos do documentário “Francisco Brennand” (2012), dirigido por Mariana Brennand Fortes, que dialogam diretamente com o conceito curatorial da exposição ao apresentar a ideia da janela como metáfora do olhar do artista sobre o mundo e seu universo criativo.
“Com ampla vista para o jardim da Praça Burle Marx, era diante dessa janela que Francisco pintava diariamente, elaborando e dando forma à sua visão de mundo. Mais do que um instrumento arquitetônico de abertura para a paisagem, essa janela simboliza a permanente interlocução entre o espaço íntimo da criação e aquilo que existe para além dele. Francisco foi um artista do Recife, mas com um pensamento do mundo”
A anotação é de Camila Bechelany, diretora Artística e de Programação da Oficina Francisco Brennand, que assina a curadoria da exposição fixa.
Na segunda sala, o público poderá visualizar a reconstrução fiel do ateliê, com seus elementos originais, entre eles o mobiliário e a disposição dos objetos de uso frequente, apresentando o ambiente de estudos e reflexão ali instalados por Francisco. Mantidos praticamente inalterados, cavalete, pincéis, escrivaninha, cadeiras, mesas, bengalas e outros objetos que integravam sua rotina de trabalho poderão ser observados de perto pelos visitantes.
“Esperamos que os visitantes se aproximem ainda mais da poética de Francisco, acessando de forma mais ampla a nascente de sua produção artística. É uma oportunidade não apenas de conhecermos o seu lado profissional, mas também a sua dimensão mais íntima. Reconstruímos o ateliê sob estes dois aspectos, levando ao encontro dos visitantes alguns objetos de valor sentimental, como fotos e cartas, seus gostos particulares, como as músicas que ouvia e os livros de sua biblioteca”
Ainda segundo Camila Bechelany, a reconstrução do ateliê visa apresentar tanto o lado profissional quanto a dimensão mais íntima do artista.
Leitor assíduo, com uma biblioteca que reúne mais de 5.500 livros (entre volumes de literatura clássica e contemporânea, além de obras sobre arte e humanidades), Francisco Brennand também escrevia regularmente. Seu arquivo é formado por cadernos e diversos manuscritos. A música fazia igualmente parte de seu dia a dia, por isso, entre os objetos pessoais, estão seu aparelho de som e sua coleção de CDs de música erudita.
Como forma de conectar ainda mais os visitantes ao universo musical do artista, uma playlist com alguns dos álbuns e composições mais apreciados por Francisco Brennand foi organizada pela curadora-assistente do museu-ateliê, Rita Vênus. Ela ficará disponível no ambiente por meio de um QR Code. A partir de uma profunda pesquisa pela discografia e nos diários do artista, foi reunido um total de 20 faixas.
Tendo início com a “Liturgia de Cristal”, que compõe o “Quarteto para o fim dos tempos”, do compositor francês Olivier Messiaen (1908–1992), a seleção reúne também nomes como Vivaldi, Brahms, Mozart, Schubert, Franck, Sibelius e Heitor Villa-Lobos. Todos eles estão entre os compositores favoritos do artista e o acompanharam por anos em seu ambiente criativo.
Serviço
Exposição: “Ateliê Francisco Brennand – Uma janela para o mundo”
Local: Oficina Francisco Brennand (Propriedade Santos Cosme e Damião – R. Diogo de Vasconcelos, S/N, Várzea)
Funcionamento: Terça-feira, das 9h às 16h; Sábado, às 11h e às 14h
Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada)
Ingressos para moradores de Pernambuco: R$ 40 e R$ 20 (meia-entrada)
Gratuidade: Entre 11 de agosto e 13 de outubro, todas as terças-feiras
Transformada em um instituto cultural sem fins lucrativos em 2019, a Oficina atua para preservar o legado do artista Francisco Brennand, ao passo que fomenta e difunde práticas artísticas, educativas e culturais contemporâneas. No coração da Mata da Várzea, na capital pernambucana, o museu-ateliê salvaguarda um amplo conjunto de obras do artista, distribuídas em espaços expositivos, jardins (um deles projetado por Roberto Burle Marx) e reserva técnica.
Fundada em 1971, a Oficina compreende também edificações fabris, ateliês e uma capela, cujo projeto é de autoria dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha e Eduardo Colonelli. Há ainda instalações de atendimento ao público, como café e loja, e uma unidade de apoio localizada no Bairro do Recife, na Casa Zero.
*Conteúdo estruturado pela I.A. do Aratu Online e revisado por um jornalista.



