Censo dos Concursos 2025 aponta maioria de mulheres e uso crescente de inteligência artificial
A participação feminina nos concursos públicos cresceu em 2025, passando a liderar o perfil dos candidatos no Brasil. De acordo com o Censo dos Concursos 2025, organizado pelo Qconcursos, as mulheres cisgênero representam 50,69% dos concurseiros, um aumento de aproximadamente 5,7% em relação ao ano anterior. Por outro lado, a participação masculina caiu para 42,4%.
O levantamento também aponta para um perfil de candidatos mais diverso. Embora ainda em menor proporção, há um registro maior de identidades de gênero, como homens e mulheres trans e pessoas não binárias. Este dado indica avanços na representatividade e na compreensão do público que busca estabilidade por meio do serviço público.
O crescimento da participação feminina ocorre em um cenário mais competitivo. Em 2025, foram registrados 9.581 concursos públicos, um aumento de 57% em relação ao ano anterior. Contudo, houve uma queda de 43,4% no número total de vagas. Este cenário exige uma preparação ainda mais estratégica dos candidatos, especialmente em um ambiente de maior disputa.
“A maior participação feminina nos concursos públicos reflete não apenas a busca por estabilidade, mas também um movimento consistente de ocupação de espaços historicamente masculinos. As mulheres têm investido cada vez mais em formação e preparação estratégica, mesmo diante de desafios como a sobrecarga de funções e desigualdades estruturais”, avalia Juliana de Almeida, professora do curso de Direito da Estácio.
Apesar do avanço feminino, os dados também evidenciam desafios estruturais. Quase 65% dos concurseiros investem menos de um salário-mínimo por ano na preparação, o que pode impactar o acesso a materiais e cursos de qualidade. Mesmo com essas limitações financeiras e desigualdades históricas, as mulheres continuam ampliando sua presença.
“O avanço feminino nos concursos ocorre apesar das desigualdades, não por causa delas. Quando a tecnologia e a inteligência artificial entram em cena, elas não apenas facilitam o estudo — elas reduzem barreiras históricas, ampliam o acesso e tornam a disputa mais justa para quem sempre precisou se esforçar mais para chegar até aqui”, completa a professora.
A tecnologia surge como uma aliada nesse processo. Mais da metade dos candidatos (51,94%) já utiliza ferramentas de inteligência artificial nos estudos, principalmente para revisão e resolução de questões. Concursos municipais passaram a liderar o número de editais, enquanto bancas como FGV e Cebraspe permanecem entre as mais relevantes. Esse cenário combina maior diversidade, avanço feminino e novas formas de preparação.



