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Auditoria e regulação de exames: debate na saúde suplementar

Especialista aponta impacto no diagnóstico e defende uso da tecnologia para agilizar processos.

Exames são ferramentas cruciais para o diagnóstico, a prevenção e o acompanhamento de diversas doenças. No entanto, a simples solicitação médica nem sempre garante que o paciente consiga realizar o procedimento, especialmente na rede privada.

Na saúde suplementar, a regulação, também conhecida como autorização prévia, tornou-se um dos pontos mais discutidos. Esse mecanismo, que avalia a necessidade e a cobertura de exames, tem gerado críticas por potenciais atrasos e negativas aos pacientes.

Segundo o médico Sormane Britto, especialista em saúde e inovação, e COO da plataforma Novvus Regula, o modelo precisa ser aprimorado para não comprometer o cuidado. “Auditar e regular é necessário, mas isso não pode atrasar diagnósticos. Quando há indicação clínica, o tempo faz diferença no desfecho”, afirma.

O que é auditoria e regulação

A regulação é um processo adotado pelas operadoras de saúde para analisar solicitações médicas antes da liberação de procedimentos. Já a auditoria médica atua como uma etapa complementar, avaliando tecnicamente a pertinência dessas solicitações.

Esse conjunto de mecanismos busca garantir o alinhamento com protocolos clínicos, diretrizes assistenciais e cobertura contratual. O objetivo é organizar o sistema, evitar desperdícios e assegurar o uso adequado dos recursos. Este modelo é permitido pela legislação brasileira e supervisionado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

O que diz a lei

A legislação autoriza a exigência de autorização prévia, desde que tal prática não impeça o acesso do paciente ao atendimento. A análise deve considerar a indicação médica e seguir parâmetros técnicos reconhecidos. A auditoria médica também é prevista como instrumento de controle, especialmente para exames de maior custo ou complexidade.

Prazos da ANS para regulação e auditoria

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabelece prazos máximos para a liberação de procedimentos. Exames laboratoriais simples devem ser liberados em até três dias úteis. Para demais exames ambulatoriais, o prazo é de até dez dias úteis, e procedimentos de maior complexidade, até 21 dias úteis. Casos de urgência e emergência demandam liberação imediata.

Apesar dessas regras, relatos de demora e negativas ainda são frequentes, o que mantém o tema no centro das discussões entre pacientes, médicos e operadoras.

Critérios e controvérsias

A principal crítica ao modelo de regulação é que ele, ao invés de organizar o sistema, pode se tornar uma barreira de acesso. “Existe uma linha muito tênue entre controlar custos e dificultar o diagnóstico. Quando o processo é burocrático demais, quem sofre é o paciente”, avalia Sormane Britto.

Operadoras, por outro lado, defendem o mecanismo como fundamental para evitar excessos e garantir a sustentabilidade financeira da saúde suplementar. No Sistema Único de Saúde (SUS), mecanismos similares são aplicados com foco na organização do acesso, o que pode resultar em filas e tempo de espera prolongado, principalmente para exames especializados.

Tecnologia como aliada

A tecnologia desponta como uma aliada nesse cenário. A digitalização dos processos permite análises mais rápidas, a integração de dados clínicos e maior transparência nas decisões. Isso pode reduzir a burocracia e potenciais conflitos entre médicos, pacientes e operadoras.

“A tecnologia pode transformar a regulação e auditoria em um processo mais justo, mais ágil e baseado em evidências. Esse é o caminho”, destaca Sormane Britto.

É nesse contexto que surge a plataforma Novvus Regula, uma ferramenta voltada à modernização da regulação e auditoria em saúde. A solução utiliza inteligência de dados e protocolos clínicos para apoiar a análise de solicitações médicas, tornando o processo mais rápido, padronizado e transparente.

Com foco na eficiência e na tomada de decisão baseada em evidências, a plataforma busca reduzir o tempo de resposta das operadoras, minimizar negativas indevidas e melhorar a comunicação. A proposta é substituir processos burocráticos e manuais por uma regulação mais inteligente e integrada.

À frente da operação como COO, Sormane Britto destaca que a iniciativa nasceu da necessidade de equilibrar controle e acesso. “A ideia é trazer mais agilidade sem perder o rigor técnico. A tecnologia permite analisar melhor, em menos tempo e com mais segurança”, conclui.

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