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Professores da UPE se mobilizam no Dia do Professor para cobrar do governo do estado por valorização profissional

Ato pretende chamar a atenção da sociedade e pressionar o governo pela implementação imediata da nova estrutura de carreira

A Universidade de Pernambuco (UPE), considerada a melhor instituição estadual do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, vive uma crise marcada pela “fuga de cérebros” de seus docentes, causada pela falta de valorização e estagnação na carreira. Nesta quarta-feira (15), Dia do Professor, uma reunião na Faculdade de Ciências Médicas (FCM) vai discutir soluções e cobrar ações do governo estadual.

Em menos de três anos, a instituição perdeu 99 professores, sendo 94 deles por exoneração ou aposentadoria precoce. O principal ponto de insatisfação está na estrutura de carreira da universidade, considerada defasada e incompleta. Atualmente, a UPE não possui o cargo de Professor Titular de Carreira, criando um teto artificial para o avanço profissional e impede que os docentes alcancem o nível máximo de reconhecimento acadêmico existente em outras universidades públicas.

Além disso, o processo de progressão entre os níveis Adjunto e Associado é descrito como “estrangulado” e baseado em critérios ultrapassados, que desconsideram as diversas funções exercidas por professores-pesquisadores contemporâneos.

Os efeitos desse sistema vão além do ambiente interno. A falta de professores titulares reduz a competitividade da UPE em editais de pesquisa nacionais e internacionais, dificultando a captação de recursos, o desenvolvimento de novos projetos e provoca uma crescente desmotivação entre jovens doutores e pesquisadores experientes.

A consequência é um ciclo de estagnação: menos investimentos, menor produção científica e uma crescente desmotivação entre jovens doutores e pesquisadores experientes.

Essa crise ocorre em meio a um paradoxo. Mesmo com limitações estruturais, a UPE segue com forte reputação e relevância social. A instituição é responsável pela formação da maior parte dos médicos, enfermeiros, engenheiros e professores do estado, além de administrar unidades de referência como o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), o PROCAPE e o CISAM. Durante emergências de saúde pública, como a pandemia de COVID-19 e a epidemia de microcefalia causada pelo vírus Zika, a universidade teve papel decisivo na assistência e na pesquisa científica.

Diante do cenário de evasão, o governo estadual criou uma comissão tripartite, com representantes da Secretaria de Administração, da reitoria da UPE e do corpo docente, para elaborar uma proposta de reestruturação da carreira. O grupo finalizou o documento em junho deste ano (2025), sugerindo ajustes na legislação e a criação do cargo de Professor Titular de Carreira. A proposta, porém, ainda aguarda aprovação da governadora Raquel Lyra.

Para o corpo docente, o debate ultrapassa a pauta salarial. Eles defendem que a valorização da carreira é essencial para garantir o futuro da universidade e o desenvolvimento científico e tecnológico de Pernambuco. Segundo os professores, a decisão que hoje está nas mãos do governo definirá se a UPE continuará sendo referência em ensino e pesquisa ou se perderá, pouco a pouco, o capital humano que a sustenta há seis décadas.

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