Na Ilha de Itamaracá, denúncias dos próprios servidores, em páginas no Instagram, apontam que o nepotismo se tornou prática recorrente na administração pública. Secretários municipais e vereadores estariam empregando parentes e pessoas próximas em cargos comissionados, em afronta direta aos princípios constitucionais da impessoalidade e moralidade. Até o momento, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) não se pronunciou sobre o caso.
A prática é proibida pela Súmula Vinculante n.º 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que impede a nomeação de cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau para cargos de confiança, direção ou assessoramento. O artigo 37 da Constituição Federal também estabelece que a administração pública deve seguir os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência — pilares que o nepotismo viola ao priorizar relações familiares em detrimento de critérios técnicos.
Embora cargos eletivos, como o de prefeito e vereador, sejam exceções por dependerem do voto popular, as denúncias em Itamaracá indicam casos de nomeações diretas de parentes em funções de confiança, ferindo a legislação e a ética pública.
A falta de posicionamento do Ministério Público preocupa moradores e especialistas, já que o órgão tem a função de fiscalizar a administração pública e garantir o cumprimento das leis. O silêncio institucional é visto como um fator que reforça a sensação de impunidade e a normalização de práticas ilegais.
Para a população, o caso representa mais do que um problema administrativo: é um ataque à transparência e à credibilidade da gestão pública municipal. O combate ao nepotismo é essencial para fortalecer a confiança nas instituições e garantir que cargos públicos sejam ocupados por mérito e competência, e não por laços de parentesco.



