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Igarassu: Irene Marques é oposição ou situação?

Aos poucos, os gestos nas redes sociais viraram assunto nos corredores da política de Igarassu. Irene Marques (Agir) começou a se aproximar de César Ramos, pré-candidato a deputado estadual pelo PSD e atual secretário de governo da professora Elcione. Sem declarações oficiais, o movimento gerou dúvidas: ela está deixando a oposição?

Agora, a própria vereadora esclarece. “Apoiar César não me faz automaticamente da situação, nem me aproxima de Elcione”, afirma. Para ela, a aproximação com o atual secretário se deu de forma natural. “Ele tem uma mente mais progressista, tem escutado o que eu digo. Isso pesa”, explica.

Irene tem um histórico de fidelidade ao deputado federal Guilherme Uchoa Júnior (PSD), de quem nunca se afastou. Para ela, essa fidelidade acontece porque ele é “filho da terra”. Nesse caso, o mesmo sentimento acontece com César.

Morde e assopra

Historicamente oposição da gestão da professora Elcione, Irene também já criticou César. No entanto, o tom é mais amistoso, sugerindo acenos à base de aliados da prefeita.  Na 23ª sessão, em maio, por exemplo, elogiou César, mas o alertou sobre a gestão do lixo: “Isso vai prejudicar ele mesmo, quando bater de porta em porta pedindo voto.” E declarou: “É um menino bom, queria que fosse deputado da terra”.

A crítica também faz parte do estilo direto da vereadora. Para ela, criticar faz parte da sua natureza: “não é apenas criticar por criticar, não é implicância. É pelo povo”, se defende.

Relação com Mário Ricardo e reação do eleitorado

Já o grupo de Mário Ricardo (Republicanos), com quem caminhou em 2024 para a eleição de Miguel Ricardo, é página virada. “Acreditamos no projeto. Mas, depois da derrota, ninguém conversou. Foi um cada um por si”.

A falta de diálogo, para ela, explica o distanciamento que pode resultar na falta de apoio a possível candidatura de Mário Ricardo a deputado estadual novamente.

Expulsa do Partido dos Trabalhadores de Igarassu, em 2024, ela afirma que nunca caminhou com a prefeita Elcione porque “não havia partido que me coubesse”. E completa: “Nunca fui oposição de coração. Sempre busquei diálogo”. Hoje, Irene diz não se sentir representada pela oposição formada por Jonas Pessoa e Anderson Trindade. “Meu negócio é com o povo. Caminho com quem fizer sentido. Projeto a projeto”, resume. 

Mesmo mantendo relação respeitosa com nomes da gestão, como Amaury Henrique, vice-prefeito e secretário da Cidade, Irene diz que não está “querendo ir para o governo”. Nem aliada direta, nem oposição formal, Irene prefere manter certa independência que, segundo ela, é o que marca sua trajetória.

Sua retirada da assinatura da CPI sobre Mangue Seco também seguiu essa linha prática. Para ela, o foco da comissão se perdeu ao incluir temas que cabem ao Ministério Público. “Não vai pra frente. Tem projeto que pode melhorar Mangue Seco de verdade”, defende.

Entre antigos embates e novas alianças, Irene segue fora de qualquer rótulo. “Não quero cargo, não quero entrar no governo. Mas quero ser ouvida”, diz. Apesar de tudo, o apoio a César Ramos não é incondicional e oficial, trata-se de um alinhamento em construção.

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