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Cirurgia robótica para câncer de próstata entra na lista da ANS

Urologista destaca benefícios da técnica e impacto positivo para pacientes da saúde suplementar a partir de abril

A prostatectomia radical é uma das principais estratégias terapêuticas para o tratamento do câncer de próstata, especialmente quando o tumor está localizado ou restrito à glândula. O procedimento consiste na retirada completa da próstata e, em alguns casos, das vesículas seminais, com o objetivo de eliminar o tumor e reduzir o risco de progressão da doença.

Indicada principalmente para pacientes com câncer de próstata localizado ou localmente avançado, a cirurgia pode ser realizada por via aberta, laparoscópica ou por técnica assistida por robô, atualmente considerada o método mais avançado disponível.

De acordo com o urologista e cirurgião Eugênio Lustosa, especialista na técnica, a cirurgia robótica representa um avanço importante no tratamento do câncer de próstata por oferecer visão tridimensional ampliada e instrumentos com maior grau de articulação, permitindo movimentos mais precisos em uma região anatômica complexa como a pelve masculina.

“Essa precisão resulta em menor sangramento, menor trauma cirúrgico e maior possibilidade de preservação dos nervos responsáveis pela continência urinária e pela função erétil, o que impacta diretamente na recuperação e na qualidade de vida do paciente”, afirma.

Incorporação ao Rol da ANS

Seguindo recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que foi publicada em outubro de 2025, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) decidiu pela incorporação da prostatectomia radical assistida por robô ao Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, que define a cobertura mínima obrigatória dos planos privados no Brasil. A medida passa a valer a partir do próximo dia 1º de abril.

Na prática, isso significa que os planos de saúde passam a ser obrigados a cobrir a cirurgia robótica para os casos previstos nas diretrizes estabelecidas pela Agência. Até então, muitos pacientes precisavam recorrer à via judicial ou arcar com custos elevados para ter acesso ao procedimento na rede privada. A decisão aproxima a saúde suplementar da realidade já existente no Sistema Único de Saúde (SUS), que conta atualmente com cerca de 40 plataformas robóticas em funcionamento em hospitais públicos do país.

Para Eugênio Lustosa, a medida representa um avanço importante na assistência oncológica. “A incorporação ao rol traz mais equidade. O paciente passa a ter acesso a uma tecnologia moderna e segura sem depender de decisões judiciais. É um passo relevante na democratização do tratamento do câncer de próstata”, avalia.

O médico ressalta, no entanto, que a indicação cirúrgica deve ser individualizada. “Nem todo paciente precisa de cirurgia, e nem todo caso será necessariamente resolvido por via robótica. A escolha depende do estágio da doença, das condições clínicas e da avaliação especializada. O mais importante é que agora existe respaldo regulatório para oferecer essa opção quando houver indicação”, conclui.

Com a entrada em vigor da nova regra, a expectativa é que hospitais privados ampliem sua estrutura para atender à demanda. A incorporação da técnica ao rol tende a consolidar a cirurgia robótica como parte do padrão terapêutico no tratamento do câncer de próstata no Brasil, além de estimular novos investimentos em tecnologia e qualificação das equipes médicas.

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