O Novembro Azul promove a saúde do homem, mas também a de sua família, especialmente para pacientes com câncer de próstata. Uma parte dos casos desse tipo de tumor está ligada a alterações genéticas herdadas, que podem ser transmitidas de pais para filhos e filhas. A identificação dessas mutações auxilia na escolha do tratamento e permite que parentes iniciem a prevenção de forma mais precoce.
O câncer de próstata é o tumor mais frequente entre homens no Brasil, excluindo o câncer de pele não melanoma. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 77,9 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028, o que representa 30,5% dos tumores em homens. Em 2024, 17.826 mortes foram registradas pela doença no país, conforme o Atlas de Mortalidade por Câncer.
A análise genética tem ganhado relevância no tratamento do câncer de próstata, principalmente em casos avançados. Um estudo de 2016, publicado no New England Journal of Medicine, avaliou 692 homens com câncer de próstata metastático e identificou alterações genéticas hereditárias relacionadas ao reparo do DNA em 11,8% dos pacientes. A mutação mais comum foi no gene BRCA2, presente em 5,3% dos participantes.
A detecção dessa mutação hereditária pode ter implicações para a família. Filhos e irmãos que possuam determinadas alterações genéticas podem precisar discutir com o médico a antecipação do rastreamento.
“Os testes genéticos podem contribuir tanto para a escolha do tratamento quanto para a prevenção. Quando identificamos uma alteração hereditária, essa informação pode ajudar a definir estratégias mais individualizadas para o paciente e indicar que outros familiares também precisam avaliar seus riscos”, explica o oncologista clínico Rodrigo Arruda.
Para homens com mutação no gene BRCA2, por exemplo, é recomendado considerar a avaliação do PSA (proteína produzida pela próstata e medida por exame de sangue simples) a partir dos 40 anos. Mulheres da família com alterações em BRCA1 ou BRCA2 também podem ter risco elevado de câncer de mama e de ovário, beneficiando-se de acompanhamento especializado.
A indicação de testes genéticos e as medidas de acompanhamento devem ser individualizadas, preferencialmente com orientação médica e, se necessário, aconselhamento genético.
“Ter uma mutação não é uma sentença para os parentes. É uma informação que permite começar a prevenção mais cedo e com um plano definido junto a um especialista. Isso ajuda a família a compreender o resultado do teste genético e acompanhar seu rastreamento”, enfatiza Rodrigo.
Quem deve fazer o teste genético
A National Comprehensive Cancer Network (NCCN), uma rede sem fins lucrativos que reúne 34 centros de referência em câncer dos Estados Unidos, estabeleceu diretrizes para a realização do teste genético em homens com câncer de próstata. Essas diretrizes incluem aqueles com doença metastática, linfonodos acometidos, ou de alto e muito alto risco. A avaliação também é indicada para homens com pai ou irmão que tiveram câncer de próstata diagnosticado até os 60 anos.
Parentes com histórico de câncer de mama ou de intestino/endométrio até os 50 anos, câncer de ovário ou de pâncreas em qualquer idade, ou câncer de mama masculino, também se encaixam nas recomendações. Outros critérios abrangem indivíduos com dois ou mais parentes com câncer de mama ou de próstata, ou três ou mais com tumores associados à síndrome de Lynch.
Adicionalmente, homens com mutação já conhecida na família (como BRCA1, BRCA2, ATM, PALB2, CHEK2 ou genes de Lynch), ou com ascendência judaica da Europa Central ou Oriental, ou histórico pessoal de câncer de mama, devem considerar o teste genético.
Em caso de dúvida, a recomendação é conversar com um oncologista sobre o teste e o aconselhamento genético.
“Exames como o teste genético e o PET-PSMA ajudam a escolher o tratamento certo para cada pessoa. Vale perguntar ao seu médico se eles fazem sentido no seu caso”, orienta o oncologista Rodrigo Arruda.
*Conteúdo estruturado pela I.A. do Aratu Online e revisado por um jornalista.



