Espera por rim encabeça fila por doações
A chegada do Setembro Verde e do Dia Nacional da Doação de Órgãos, neste 27 de setembro, chamam atenção para a fila à espera da doação de órgãos no Brasil. No mês de conscientização sobre doação de órgãos e tecidos, dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) apontam que, até o início deste mês, 49.489 pessoas estavam à espera por um órgão no país. Dessas, cerca de 45 mil aguardavam por um rim. Em Pernambuco, das 3.966 pessoas que aguardavam por um transplante até o mês passado, 2.031 esperavam por um rim.
A decisão da família ainda pesa significativamente sobre a oferta de órgãos no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), 45% das famílias não autorizam a doação após o diagnóstico de morte encefálica de um familiar. Isso significa que, para cada dez famílias de pessoas com diagnóstico de morte encefálica, cerca de quatro recusam a doação de órgãos. O índice ajuda a explicar por que a recusa familiar continua sendo um dos grandes desafios para ampliar os transplantes no país.
Diante disso, o transplante renal entre doadores vivos vem se consolidando como uma das principais alternativas para reduzir o tempo de espera de pacientes graves, com insuficiência renal crônica. A modalidade é permitida no Brasil desde que exista vínculo familiar ou autorização judicial, no caso de não parentes. O processo envolve uma avaliação rigorosa do doador, com exames clínicos, laboratoriais, de imagem e acompanhamento psicológico, garantindo que a doação não traga prejuízos à sua saúde.
“A segurança para o doador é absoluta. Só seguimos com a cirurgia quando temos certeza de que ele poderá levar uma vida normal com apenas um rim”
, ressalta o urologista e cirurgião Eugênio Lustosa, especialista em transplante renal. O procedimento é feito, na maioria dos casos, por técnicas minimamente invasivas, o que reduz o tempo de internação e acelera a recuperação.
“O rim doado por uma pessoa viva geralmente funciona mais rápido e por mais tempo, algo em torno de 15 a 20 anos. Além disso, o paciente pode ser transplantado antes mesmo de iniciar a diálise ou logo no início do tratamento”
, explica. O procedimento permite antecipar o tratamento de pacientes com doença renal crônica, melhorar a qualidade de vida e ampliar as chances de sucesso do procedimento, além de contribuir diretamente para desafogar a fila de transplantes no país.
Um exemplo de transplante bem-sucedido de rim com doador vivo é o do cirurgião Adriano Carneiro. Portador de insuficiência renal crônica de origem indeterminada, o médico recebeu um rim da irmã em março deste ano. As duas cirurgias foram simultâneas e ocorreram no Hospital da Unimed, aqui no Recife. Para Eugênio Lustosa, casos como esse reforçam a importância da informação e da conscientização.
“Além da técnica e da ciência, o transplante entre vivos carrega uma dimensão humana muito forte. É um gesto de solidariedade que transforma a vida de quem recebe e, muitas vezes, de toda a família”
, afirma.
*Conteúdo estruturado pela I.A. do Aratu Online e revisado por um jornalista.



