Uma mulher de 28 anos deu à luz em Fernando de Noronha neste domingo (26). O caso é excepcional, já que vigora no arquipélago uma portaria estadual que orienta a não realização de partos na ilha.
A portaria AG/ATDEFN nº 063/2021, de 26 de novembro de 2021, orienta a não permanência e ingresso de grávidas com idade gestacional de 28 semanas ou mais em Fernando de Noronha.
O documento justifica que, na ilha, há uma única unidade hospitalar, o Hospital São Lucas, classificado como de média complexidade, com capacidade assistencial dos serviços de saúde limitada.
A portaria também considera o risco potencial de complicações relacionadas à gravidez e à capacidade assistencial dos serviços de saúde disponíveis.
Para as gestantes residentes, a administração de Fernando de Noronha assegura o acompanhamento de pré-natal por meio do Programa Saúde da Família. A partir da 28ª semana de gravidez, a mulher é encaminhada para a continuidade da assistência nos serviços de referência no Recife.
O protocolo estadual estabelece que as empresas aéreas e voos privados autorizados a operar no Aeroporto Governador Carlos Wilson, em Noronha, deverão exigir de todas as passageiras grávidas com 28 semanas ou mais a apresentação do Termo de Responsabilidade assinado.
O documento tem o objetivo de dar ciência sobre as condições médico-hospitalares da ilha e eventuais riscos decorrentes de complicações e intercorrências da gravidez.
Segundo a portaria, o Termo de Responsabilidade é encaminhado à Superintendência de Saúde pelas empresas aéreas e responsáveis pelos voos privados no prazo de 72 horas antes do dia da viagem, para que seja analisado pela equipe médica da pasta, podendo ser autorizada ou não a entrada da gestante em Fernando de Noronha.
Entenda o caso
Uma mulher deu à luz em Fernando de Noronha neste domingo (26). O bebê apresentou intercorrência e foi transferido para o Recife em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea.
Segundo a Superintendência de Saúde de Fernando de Noronha, a paciente, de 28 anos, deu entrada no Hospital São Lucas apresentando dor na lombar com irradiação para a região pélvica.
“Durante a avaliação clínica inicial, a paciente negou a possibilidade de gestação. No entanto, diante da suspeita diagnóstica, a equipe assistencial realizou exame de Beta HCG, que confirmou a gravidez, com 41 semanas de gestação”
afirmou a superintendência.
Após identificação, foi constatado que a mulher — que reside temporariamente em Fernando de Noronha e trabalha em uma pousada da ilha —, estava em fase avançada de trabalho de parto, impossibilitando sua transferência em tempo hábil para uma unidade hospitalar no continente.
“O parto foi conduzido pela equipe multiprofissional do Hospital São Lucas, seguindo os protocolos assistenciais vigentes”
informou a gestão da ilha, destacando que a mãe encontra-se clinicamente estável.
Já o bebê teve uma intercorrência e foi transferido em UTI aérea, ainda na noite de domingo (26), ao Hospital Maria Lucinda, no bairro do Parnamirim, na Zona Norte do Recife.
Atualmente, o recém-nascido está internado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, apresenta quadro clínico estável e permanece recebendo atendimento especializado.
“Em razão da capacidade operacional da aeronave, que comportava apenas a equipe assistencial necessária ao transporte do paciente [bebê], não foi possível o embarque da mãe, que permaneceu na ilha e segue nesta segunda-feira (27) para o Recife em voo comercial. A Superintendência de Saúde acompanha integralmente o caso, mantendo articulação com a equipe da unidade de referência para assegurar a continuidade da assistência”
afirmou a administração da ilha.
*Conteúdo estruturado pela I.A. do Aratu Online e revisado por um jornalista.



