A cultura popular pernambucana ganhará novos palcos durante o mês de julho, com o projeto Circulação do Mamulengo Flor Mimosa nos Mercados Públicos do Recife. A iniciativa, que leva o tradicional Teatro de Boneco Popular do Nordeste (TBPN) gratuitamente a seis mercados da capital, é assinada pela produção executiva de Luciane Bacelar e conta com o incentivo do Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) da Fundação de Cultura da Cidade do Recife/Secretaria de Cultura.
Idealizado pelo poeta cantador e mestre de saberes tradicionais Adiel Luna, o projeto dá continuidade à circulação realizada em 2023 nos parques públicos da cidade, quando cerca de 1.500 pessoas acompanharam dez apresentações. Agora, a proposta amplia seu alcance ao ocupar mercados públicos, espaços que sintetizam a vida cotidiana da cidade e onde circulam comerciantes, trabalhadores, moradores, turistas e frequentadores de todas as idades.
Longe de ser apenas um espetáculo teatral, o Mamulengo Flor Mimosa oferece uma experiência cênica em constante transformação, unindo música executada ao vivo, poesia popular, elementos circenses, ventriloquia e improviso. Um grupo de Cavalo-Marinho, composto pelos músicos Mestre Lilo, Ricardo Treme Terra, Petezera e Nylber Silva, integra a apresentação, que se reinventa a cada interação com o público. Embora haja um roteiro, a arte do mamulengo é viva e conectada ao presente, moldada pela participação popular.
“O mamulengo nasceu para ocupar as ruas, as feiras e os espaços de convivência das pessoas. Levar essa brincadeira para os mercados públicos é devolver esse brinquedo ao seu ambiente natural, onde o público participa, interfere e transforma cada apresentação em uma experiência única”
destaca Adiel Luna.
Reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2015, o Teatro Popular de Bonecos do Nordeste é uma das mais importantes expressões da cultura brasileira. Tradicionalmente apresentado em feiras, sítios e pequenas cidades do interior, o mamulengo sempre refletiu a realidade social, econômica e política das comunidades, usando humor, crítica social, música e improvisação para dialogar com a audiência.
Esse universo marcou a infância de Adiel Luna, natural da Zona da Mata Norte pernambucana e descendente de uma família de artistas populares. Sua formação cultural se deu entre sambadas de maracatu, cavalo-marinho, poesia oral, circo e mamulengo. Ao retornar a Carpina, cidade berço do mamulengo pernambucano, ele passou a desenvolver um trabalho artístico que integra tradição e contemporaneidade, criando novas histórias e personagens sem perder o vínculo com os mestres da cultura popular.
Ao longo de uma década de circulação, o Mamulengo Flor Mimosa já passou por diversos estados brasileiros, participando de festivais, mostras de teatro, comunidades quilombolas, aldeias indígenas e importantes equipamentos culturais. Entre as participações notáveis estão o Encontro de Mamulengos de São Paulo, a inauguração da nova sede do Museu Casa do Pontal, no Rio de Janeiro, e temporadas em unidades do Sesc de diferentes estados.
“O brinquedo popular continua vivo quando ocupa os espaços públicos, quando conversa com quem passa, quando acolhe crianças, jovens, adultos e idosos. O mamulengo precisa continuar sendo um teatro do encontro”
afirma Adiel.
A escolha dos mercados públicos como palco reforça esse conceito. Mais que centros comerciais, esses espaços são patrimônios urbanos relevantes, combinando gastronomia, artesanato, manifestações culturais e figuras que preservam a memória da cidade. Nesse cenário, comerciantes, feirantes e visitantes tornam-se, também, protagonistas do espetáculo, contribuindo para a criação espontânea das histórias dos bonecos.
Além da programação aberta ao público, o projeto inclui uma ação de formação de plateia. Como contrapartida social, duas apresentações gratuitas serão realizadas em 27 de julho para alunos da Escola Municipal Monteiro Lobato, em Peixinhos, Recife. As sessões ocorrerão às 13h50 para o Ensino Fundamental I e II, e às 18h40 para a Educação de Jovens e Adultos (EJA), oferecendo a alunos o contato com uma manifestação cultural frequentemente distante do cotidiano escolar. O projeto também garante acessibilidade, com intérprete de Libras e área reservada para pessoas com deficiência, cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Ao ocupar os mercados públicos do Recife, o Mamulengo Flor Mimosa reafirma a função da cultura popular como ferramenta de pertencimento, memória e democratização do acesso à arte. O projeto devolve ao cotidiano da cidade um brinquedo centenário que segue encantando gerações por meio do improviso, da música e da poesia.
Serviço
Circulação do Mamulengo Flor Mimosa nos Mercados Públicos do Recife
Apresentações:
10 de julho (sexta): 12h30, Mercado da Boa Vista
11 de julho (sábado): 12h30, Mercado da Encruzilhada
12 de julho (domingo): 9h, Mercado da Madalena
17 de julho (sexta): 12h30, Mercado do Cordeiro
19 de julho (domingo): 9h, Mercado de Afogados
24 de julho (sexta): 8h, Mercado de Casa Amarela
Acesso gratuito.
Apresentações na Escola Municipal Monteiro Lobato (Peixinhos):
27 de julho (segunda):
13h50 – Ensino Fundamental I e II
18h40 – Educação de Jovens e Adultos (EJA)
Mais informações: Ana Rocha Assessoria de Comunicação – (81) 99257-852
*Conteúdo estruturado pela I.A. do Aratu Online e revisado por um jornalista.



